..:Desenterrando a etiqueta:..
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por Caroline Stratmann
Quem nunca cometeu uma gafe que atire a primeira pedra. Seja a
reunião que começou atrasada por sua causa ou o celular
que toca na hora errada, a verdade é que as tais mancadas
atacam das mais variadas formas. Pensando nisso, as empresas resolveram
desenterrar uma técnica utilizada por nossas avós:
a chamada etiqueta, deixada de lado durante alguns anos, retorna
agora com toda a força e promete auxiliar (e muito) a vida
dos executivos.
Dúvidas sobre o tema sempre foram muito comuns entre os
profissionais. Vão desde como se vestir até como se
portar em determinadas situações. A etiqueta empresarial
é uma adaptação da tradicional técnica,
criada na tentativa de ensinar os profissionais a evitar os tão
temidos lapsos ou ao menos amenizar seus efeitos.
Segundo Bernt Entschev, presidente do Grupo De Bernt Entschev,
especializado em capital humano, a primeira, e talvez mais importante,
lição é saber se prevenir contra os embaraços.
"Não existe almoço de negócios que comece
bem quando um dos participantes chega atrasado. Por isso, ao ver
que não chegará a tempo sempre ligue avisando",
aconselha. "Investigar o estilo das vestimentas dos participantes
do encontro também é uma boa dica."
José Alfredo Stratmann, diretor comercial de uma empresa
de geotecnologia, sabe a importância da imagem na hora do
fechamento de um negócio. "Procuro seguir a linha do
cliente na hora de me vestir. Caso ainda não o conheça,
me preocupo apenas com os detalhes, como o nó da gravata,
por exemplo".
Já uma reunião inspira cuidados redobrados e as boas
maneiras recomendam: quando cumprimentar os participantes do encontro,
sorria e trate todos da mesma forma, independente do cargo ou posição
social. Em caso de atraso, os termos "com licença"
e "me desculpem" são uma ótima maneira de
acalmar os ânimos de quem teve de esperar pela sua chegada.
"Outra gafe, muito comum, é trocar o nome das pessoas.
O melhor a fazer é pedir desculpas e retomar a conversa da
forma mais discreta possível", diz Bernt. Mascar chicletes,
roer as unhas, ou pior, bocejar incessantemente também são
péssimos hábitos para um ambiente formal.
Jamais esquecendo do grande vilão das reuniões,
o celular deve se manter desligado no período de duração.
"Caso o profissional esteja esperando uma ligação
importante, é recomendável que o restante dos participantes
já esteja pré-avisados", diz. Já para
Stratmann, o vibra-call é o aliado dos executivos que não
podem se mostrar indisponíveis nem por um curto período
de tempo. "Costumo deixar no modo silencioso, assim não
atrapalho o encontro e sei para quem devo retornar a ligação
após seu término", aconselha.
Outro fantasma que assombra a vida de qualquer executivo são
os encontros com clientes estrangeiros. Mais do que nunca, as dúvidas
rondam, podendo se transformar numa gafe incontornável. "Pesquisar
sobre a cultura do cliente, assim como seus costumes e tradições
evita o confronto, mesmo que involuntário, de idéias",
recomenda Vera Lúcia do Amaral, consultora de Recursos Humanos,
também do Grupo De Bernt. Escolher uma língua que
seja comum a ambos também diminui os riscos de uma inconveniência,
pois expressões que para nós são comuns, podem
ofender o visitante. Para Bernt, uma boa alternativa é perguntar
sobre as gafes mais comuns antes mesmo de cometê-las. "Não
é deselegante perguntar ao cliente estrangeiro o que se deve
ou não fazer. Deixe que ele decida onde comer e o que visitar",
recomenda o presidente.
Regras a parte, a etiqueta representa hoje uma grande aliada no
combate aos conflitos, atritos e maus entendimentos no meio empresarial.
Tendo como missão a complicada tarefa de facilitar as relações
sociais e profissionais, tornando-as mais amistosas possível,
ela passou de sinônimo de caretice a uma poderosa ferramenta
de trabalho na tentativa de acabar com o que parece indestrutível:
a gafe. |