..:Bom relacionamento entre sócios pode ser decisivo
para a empresa:..
por Ana Paula Burg
Conhecer os hábitos de consumo dos clientes, os aspectos
legais do negócio e a concorrência são estratégias
fundamentais adotadas por pessoas que planejam abrir uma empresa.
Mas escolher o sócio certo pode ser fundamental para manter-se
saudável no trabalho e ultrapassar a barreira crítica
dos primeiros anos de atuação no mercado.
Segundo o último Estudo da Mortalidade das Empresas Paulistas,
realizado pelo Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às
Micro e Pequenas Empresas) e Fipe da USP (Fundação
Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São
Paulo), problemas entre os sócios são um dos fatores
que podem levar uma empresa a fechar as portas. A pesquisa aponta
que a figura da organização se confunde muito com
a de seu dono. Portanto, qualquer problema pessoal mais forte com
o proprietário, ou com seus sócios, pode ser determinante
para o seu futuro.
Para Rogério Dequech, diretor da Go4! consultoria de negócios,
o início da empreitada é decisivo para que o empreendimento
se firme. Por isso, o auxílio do companheiro de trabalho
é imprescindível. "No começo, a remuneração
é baixa e o esforço é alto. É necessário
que os sócios sejam, no mínimo, companheiros",
afirma. Ele destaca, ainda, que pensamentos estratégicos
e filosofias de trabalho são pontos que precisam ser analisados
ao se firmar sociedade. "Os dois devem ter idéias parecidas
sobre como estruturar pessoas", explica.
O sócio de Rogério, Carlos Esteves, tem uma idéia
semelhante. "Grande parte dos executivos não se preocupa
com isso na hora de abrir um negócio. Mas, assim como na
união entre um casal, é necessário que o relacionamento
na empresa tenha maturidade e equilíbrio", sublinha.
A sociedade entre eles surgiu quando ambos perceberam que partilhavam
idéias comuns. "A proposta foi feita por uma questão
estratégica. Mas o fato de termos perfis e objetivos parecidos
certamente nos auxiliou muito", informa Carlos.
Em empresas familiares, onde quase sempre não há
possibilidade de se escolher os sócios, as divergências
de opiniões podem ser muito problemáticas. É
o caso, por exemplo, de uma das organizações assessoradas
pela Go4!. Composta por sete acionistas, todos parentes que herdaram
suas partes, a empresa enfrenta muitas divergências nas tomadas
de decisão, segundo Rogério. "Como atuam em ramos
completamente diferentes, os interesses de investimento não
combinam", explica. Ele diz ainda que, em instituições
familiares, de um modo geral, os problemas sentimentais acabam afetando
o negócio.
Para o consultor, quando uma empresa possui mais de três
sócios, é recomendável que eles atuem como
conselheiros e contratem executivos para agir. "O conselho
servirá para criticar e sugerir, colocando administradores
competentes para realizar os pedidos e substituindo-os quando necessário",
alerta. Além disso, problemas sentimentais devem ser controlados.
Carlos, por sua vez, garante que é impossível desligar
o lado pessoal. Mas é extremamente necessário saber
administrá-lo.
Patrícia Bazaluk, 33 anos, bióloga, já teve
uma experiência malsucedida no mundo dos negócios.
Ela conta que, há seis anos, um amigo a convidou para ser
sócia em uma empresa de publicidade e eventos. Patrícia
cuidava do setor de eventos, mas necessitava de ajuda. "Então,
decidimos que era necessário dividir o trabalho com uma terceira
pessoa. Foi o começo do fim", expõe a bióloga.
A nova sócia, que havia se disposto a ajudá-la, não
cumpria suas funções. "Decidimos desistir dela
e contratar outra pessoa para o seu lugar. Também não
deu certo", lamenta. Depois dessas tentativas, Patrícia
concluiu que o entusiasmo não era suficiente para fazer o
negócio evoluir. "Além da falta de planejamento,
existia a inexperiência e a ingenuidade", enfatiza. A
empresa foi fechada, mas Patrícia diz que carregou consigo
um aprendizado: "Dedicação total e confiança
nos colegas de trabalho são itens que não podem faltar
em um empreendimento."
Segundo os diretores da Go4! uma sociedade bem estruturada começa
pelo detalhamento do contrato social. "Nele devem constar todas
as regras a serem seguidas pelos negociantes. O documento deve espelhar,
também, o relacionamento dos proprietários",
aconselha Rogério Dequech. Os sócios da consultoria
garantem que o início pode ser bastante difícil. Porém,
se houver cumplicidade e confiança, além, é
claro, de bons resultados, a relação tem tudo para
dar certo. Para ambos, a harmonia é o segredo do sucesso
nessa relação.
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