..:Diálogo essencial:..

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por Fernanda Bohnen

Estamos vivendo na era da informação. Então, nada mais óbvio que a comunicação assuma um papel fundamental em todos os segmentos da sociedade, inclusive nas empresas. A profissionalização desse departamento é muito importante para o sucesso de qualquer organização. A comunicação é um elemento chave para a gestão organizacional e vai muito além da publicidade. "É preciso compreender, que, se a propaganda é a alma do negócio, a comunicação é a essência da imagem na sociedade", afirma Paulo Nassar, jornalista e diretor executivo da Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial). Cabe ao departamento de comunicação estruturar mensagens e escolher mídias adequadas, e, mais do que isso, formar e manter a imagem da companhia, além de unificar seus discursos frente a seus públicos estratégicos, tanto internos (funcionários), como externos (clientes, fornecedores, imprensa, acionistas, comunidade, autoridades, etc).

Segundo Nassar, na década de 90, as empresas tiveram que redesenhar seus modelos organizacionais para enfrentar com sucesso os grandes desafios macroeconômicos - entre eles, o processo de globalização econômica e a mudança no papel do Estado. E, em nível microeconômico, as questões diretamente ligadas à reestruturação produtiva. Por isso, o departamento de comunicação adquiriu importância vital, já que passa, para os funcionários e demais públicos, a nova filosofia da organização, novas metas e novos mercados. "É a ferramenta que integra inúmeros públicos ao novo momento da empresa, que sem o consentimento e o perfeito entendimento desses públicos passa a ter seus objetivos comprometidos", alerta Nassar.

A comunicação interna desenvolve treinamentos para qualificação e motivação. Assim, garante o comprometimento dos trabalhadores com questões como a necessidade de se conquistar os padrões ISO de qualidade, foco no cliente e redução dos custos. Já a comunicação externa, cultiva a imagem da empresa, promove o intercâmbio com outras regiões, campanhas promocionais, eventos, etc. A empresa que tem uma comunicação eficiente, tem uma marca forte e apoio dos funcionários, o que pode fazer a diferença em momentos de crise. "Apesar de ser o primeiro departamento que sofre quando a crise chega, é o que mais reage para mudar o quadro de recessão. Por isso, investir na comunicação, fortalecimento da imagem e marca em tempos de crise é o melhor caminho para alavancar os negócios e manter vivo o nome da empresa", coloca Maria Angélica Ranzi, gerente comercial e de marketing da Carraro.

Claro que pequenas e médias companhias não tem condições de comportar um departamento de comunicação, pois é preciso ter aparatos (recursos humanos e materiais). Mas existem várias alternativas, como ter gestores ou funcionários com cultura comunicacional ou terceirizar o serviço. A Marel, de Francisco Beltrão (PR), já está estudando a contratação de uma empresa. "Vamos terceirizar o serviço, pois o departamento de comunicação é fundamental para toda empresa que tem a necessidade de integração", afirma Eloy Luís Scheuer, gerente de marketing. A empresa pretende implementar a comunicação interna primeiro, mas já possuí um canal aberto com o cliente através do site da empresa e, futuramente, vai criar um informativo externo. Já a Flexive, de Curitiba (PR), possui um pequeno departamento de marketing com gestores em comunicação e, quando necessário, contrata uma assessoria. "Por se tratar de uma empresa de pequeno porte não valeria à pena, em termos de custos, ter uma assessoria própria. Outro ponto, que conta muito, é que o profissional da assessoria deve ser muito bem relacionado, ter vários contatos, o que fica muito mais fácil para quem trabalha diretamente e todos os dias com comunicação", explica Karla Lidiane Souza, coordenadora de marketing da empresa.

Muitas empresas já se conscientizaram do papel estratégico que a comunicação exerce na gestão empresarial e despertaram a consciência de que ações e estratégias eficientes de comunicação social, por meio de atividades como assessoria de imprensa e relações públicas, são imprescindíveis para a sua participação ativa e interativa no contexto do mundo contemporâneo. Mas, no Brasil ainda existe o chamado "analfabetismo comunicacional". Segundo Nassar, o gasto médio per capita das empresas brasileiras em comunicação é de 27 dólares por ano, contra 640 nos Estados Unidos e 840 na Noruega. "Temos muito a crescer", afirma.

 

 

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